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Esta linguagem universal, gravada na pele, remonta de épocas do começo da história do homem. A tatuagem, a primeira forma de escrita do homem, é o modo mais antigo e universal da expressão simbólica. Parece estar ligada a evolução do homem e do desenvolvimento da consciência do "eu". Estas linhas, pontos e desenhos mais elaborados são uma indicação do desejo humano de contar sua história. É claro que é impossível provar que o adorno para o corpo tem sua origem na era pré-histórica, mas tudo indica que este é o caso. O homem de Neandertal usava pigmento mineral natural vermelho para inscrever padrões nos ossos dos mortos. Este procedimento era ligado à idéia de sobrevivência: o pigmento vermelho, a cor do sangue, simbolizava a vida.

Foi no Antigo Egito que a tatuagem feita por perfuração com uma ferramenta afiada ou agulha que introduz um pigmento por baixo da pele, foi praticada. Bonecas de argila confeccionadas durante a civilização são a evidência mais antiga preservada da tatuagem. Existe prova arqueológica positiva de que marcas de tatuagens feitas por perfuração foram aplicadas aos seres humanos, tanto quanto as bonecas femininas de argila no Egito entre 4000 e 2000 a.C. Foi do Egito, também, que a arte da tatuagem viajou através do mundo, aparecendo, desaparecendo e reaparecendo através de todo o registro da história.

Por volta do ano 2000 a.C. a arte já havia se espalhado através do sudoeste da Ásia indo tão longe quanto à China. Os Shans - membros de grupos ou tribos do nordeste de Burma e partes adjacentes da China, Laos e Tailândia - adquiriram a arte em sua terra natal, sudoeste da China, e a levaram aos povos de Burma, que depois desenvolveram uma técnica mais elaborada da tatuagem, fazendo até os dias de hoje parte de sua crença mágica e religiosa. Ao mesmo tempo, a tatuagem introduzida ao Japão pelo povo Ainu, seus antigos habitantes, ganhou uma grande importância, embora os japoneses a terem adotado apenas como uma arte ornamental, rejeitando sua crença mágica ligada a ela pelos Ainus. Em nenhum lugar do mundo a técnica e o estilo dos tatuadores japoneses - Horis - foram superados pela beleza dos desenhos, cores, expressão de movimento e uso de sombra e luz que fizeram com que as tatuagens aparecessem quase em terceira dimensão.

De 1100 a.C. em diante a arte da tatuagem migrou sul do Japão, junto com práticas menos atrativas como caçadores de cabeças, para Formosa, Filipinas e Ilhas Pacíficas. Os polinésios mais do que qualquer outra raça, foram responsáveis pela ampla distribuição da tatuagem, desenvolvendo um novo estilo na Nova Zelândia, Moku, que consiste em vários padrões associados a ritos religiosos e tabus.

A chegada da arte da tatuagem na América ainda oferece um quebra-cabeça para a ciência. Foi estabelecido que os primeiros habitantes do México e Peru, conheciam a arte, que mais tarde foi altamente desenvolvida durante as civilizações dos Maias, Incas e Astecas e teve um papel muito importante em seus rituais religiosos. Alguns cientistas sustentam que a tatuagem foi trazida pelos polinésios durante sua migração através de 3200 quilômetros de oceano. Outros cientistas dizem que o Chukchee siberiano que aprendeu sobre tatuagem com os Ainus, disseminou a arte através da América do Norte depois de atravessar da Ásia para o Alasca, e então a tatuagem espalhou-se através do Novo Mundo.

Mas muito cedo o culto da tatuagem também viajou norte vindo do Egito, e os povos da Península Ibérica, que precederam os Celtas nas Ilhas Britânicas eram ardentes apoiadores da arte de marcar o corpo. Os gregos usavam marcas secretas de tatuagem para seus espiões, os romanos tatuavam escravos e criminosos.